| Paulo de Carvalho |
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| recém chegado |
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Incorporado: 22-05-10
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Dentre tantas questões abordadas hoje nos mais diversos fóruns e grupos de discussão por todo canto do País, a Cultura está presente permeando debates nas áreas da Saúde, Educação, Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, reforma agrária e tantos outros, afirmando cada vez mais sua transversalidade e importância na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, como desejamos. E, aqui, falamos da Cultura em todas as suas manifestações, seja na música e nos festejos, no teatro, na cozinha e no vestuário, na dança e nas mezinhas da medicina tradicional, na arquitetura, na fotografia e no cinema, nos ofícios e saberes de nossos pais e avós, na tradição oral de uma história tão esquecida pelos livros e pelos meios de comunicação excludentes.
Assim, em tempos de inclusão digital, inclusão social e Vale Cultura, faz-se necessária e premente a inclusão cultural, entendida não só como a possibilidade de dar vez e voz à imensa diversidade cultural brasileira mas também, e principalmente, de inclusão da Cultura, em todos os seus aspectos, nas diversas atividades e setores da sociedade civil, e de nossas administrações públicas, sejam municipais, estaduais ou federal.
Ao discutir e debater o mundo e a sociedade igualitária que almejamos, não podemos esquecer que essa construção passa pela identificação e valorização de uma Cultura construída desde muito tempo em cada comunidade, em cada município, em cada rincão do País, e não aquela outra que nos é empurrada garganta adentro, todos os dias, por meios de comunicação compactuados com um projeto de poder e dominação contrário ao desenvolvimento da nação Brasil, e dos interesses de seu povo.
Nesse sentido a Cultura vive hoje, em Petrópolis, um momento especial, com a realização da Conferência Municipal de Cultura em setembro do ano passado e seus desdobramentos desde então, como as recentes reuniões dos grupos de trabalho para a elaboração do Plano Municipal de Cultura, e o Prêmio Maestro Guerra-Peixe de incentivo e valorização da produção cultural petropolitana – duas gratas surpresas para quem, como eu, esteve nos últimos dez anos longe da Serra da Estrela atuando na cena cultural da Amazônia. Nesse processo recente, se por um lado devemos reconhecer a iniciativa e o empenho da Fundação de Cultura e Turismo, ao mesmo tempo é necessário parabenizar a comunidade petropolitana pela sua participação nesse processo através de seus grupos já organizados, principalmente nas áreas das artes visuais, dança e música, além da reestruturação do Conselho Municipal de Cultura - paritário e deliberativo.
Por outro lado, o processo deflagrado pela Fundação de Cultura demonstrou, também, a fragilidade de outros setores que, embora sejam bem representados por importantes agentes culturais, sofrem ainda com a falta de organização e, por vezes, com o desconhecimento mútuo de seus agentes em relação às atividades desenvolvidas em seus segmentos, bem como das oportunidades de financiamento através de prêmios e editais do Ministério da Cultura - procedimento este que deverá também ser adotado no âmbito municipal a partir da aprovação e sanção do Plano Municipal de Cultura pela Câmara e pelo executivo.
Assim, resta ao articulista congratular com a comunidade petropolitana por sua participação, deixando, no entanto, um chamamento àqueles setores e agentes culturais ainda afastados do processo, seja pela falta de incentivo de um viciado sistema de apadrinhamento tão em voga por todo este País durante tanto tempo, como pelo afastamento histórico de setores da cultura popular relegados ao gueto do esquecimento, como os afrodescendentes, indígenas e ciganos, para a construção de uma Cultura mais democrática.
Paulo de Carvalho
Arte multimídia e comunicação
Petrópolis, 17 de maio de 2010
PUBLICADO NA TRIBUNA DE PETRÓPOLIS EM 19 DE MAIO DE 2010, PG. 2 |
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